A mente de um ansioso

A primeira vez que tive uma crise de ansiedade foi em 2018. 

E para tentar não lidar com o que me afligia, me joguei de cabeça no trabalho e na academia – onde ficava 2 horas por dia. O expediente começava às 9h, em média, e ia até às 20h, 22h. Sábado e domingo? Trabalho e treino. E o ciclo recomeçava na segunda-feira. Parte da minha vida estava um caos, a ponto de eu pensar que não ia sobreviver a tanta dor. Escrevendo isso agora parece um grande exagero, mas eu tinha mesmo essa sensação. 

Treinar se tornou a única atividade que me dava prazer legítimo, por isso passava tanto tempo na academia. Mas ainda sim, era 2% do meu dia. Decidi intensificar as atividades, e além da musculação, comecei a correr – o que resultou na minha primeira ½ maratona. Depois desse desafio, parte de mim era puro orgulho; a outra, pura dor. 

De lá pra cá, existiram momentos em que pensei que teria outras crises; o que não aconteceu. Estar em terapia tem me ajudado na tarefa diária de evitar pensar demais sobre um futuro que eu não tenho ideia de como será. Ou de me preocupar caso ele não seja do jeito que, hoje, eu espero.

Uma reclamação que faço na terapia é estar cansado de pensar exaustivamente sobre cada passo, analisando meticulosamente possíveis desdobramentos. A minha mente entra numa espiral e produz tantos pensamentos, que não consigo explicar como acontece tão rápido. É tipo uma análise do que pode acontecer, que tipo de decisões eu terei que tomar, quais atitudes eu poderei ter, quais serão os desdobramentos, como eu vou me sentir…tudo no futuro. Cansa!

Pra fugir disso, eu curto correr, ir ao cinema, andar sem rumo, ler em qualquer lugar, parar no parque e observar as pessoas. Só que no meio disso tudo surgiu uma quarentena em que me vejo “preso” aos meus pensamentos e às paranóias que deles brotam. E se eu fizer isso? E aquilo? Se eu mandar essa mensagem, vai acontecer o quê? E seu não mandar? O que vai ser depois? 

E toda vez que algum desses pensamentos aparece, eu preciso parar e respirar. E me lembrar que não adianta sofrer por algo que eu não sei como, tampouco se, vai acontecer. A falsa sensação de controlar o destino só traz frustração; é um esforço hercúleo.

Teve um dia em que esses pensamentos foram tão fortes, que comecei a chorar de medo. Não foi, nem de perto, uma crise de ansiedade, mas senti um aperto no peito. Mas consegui parar e abrir um vídeo qualquer de meditação. No final me senti bem. No dia seguinte, também. Tenho lido, escrito bastante, me empenhado nos afazeres domésticos – como cozinhar. Tudo isso me mantém ocupado e focado no agora, que é exatamente do que preciso.

Nessa quarentena terei que aprender a aceitar que não posso controlar o meu destino, por mais confortável que essa ideia pareça. O primeiro desafio já chegou, antes mesmo da publicação desse texto. Que rápidez, hein, dona vida!?

Eu não sei se ao final desse período vou ter feito tudo o que pensei, mas sei que quero, pelo menos, ter aprendido a viver o presente, um dia de cada vez, e aprendido o que eu preciso.

Photo by Alex Iby on Unsplash

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