Carta aberta

Depois de um dia cheio, eu queria dormir umas 10 horas seguidas. Caio num sono profundo.

Oi, Caio. Essa é uma carta pra você.

Antes de começar, queria dizer que não entendo o porquê de você ainda se fazer presente em meus pensamentos. E por estar cansado de questionar, quando me pego pensando em ti, digo “paciência” e sigo.

Talvez, lá no fundo, com o nosso breve envolvimento, eu precise aprender algo sobre como eu me relaciono com as pessoas e o mundo ao redor, sobre quem entra e quem sai da minha vida, sobre limites; algo sobre mim. E por mais que eu me oponha à ideia de ser você a “me mostrar” isso, o que eu posso fazer?

Quando suas lembranças voltaram a ser recorrentes, tentei entender porque elas vinham com uma vontade enorme de te abraçar. Acho que enfim descobri. 

Com você me senti à vontade. Falei, escrevi e senti tudo o que achei pertinente; assumindo o compromisso de ser menos racional. Foi uma experiência e tanto. E quando todo aquele tornado passou, senti orgulho de quem fui. O eu de 3 anos atrás não se permitiria metade do que vivi. 

Acho que a vontade de te abraçar é uma tentativa de me reconciliar com o eu do passado. Aquele com um pouco mais de responsabilidade emocional, mas não a mesma coragem. Ou talvez eu queira te abraçar só para sentir o seu coração contra o meu e ter a sua barba encostando na minha nuca.

Pensei que eu terminaria esta carta chorando, enquanto questiono minhas decisões de (parte da) vida. Mas não me sinto assim. Há um sorriso tímido em meu rosto e uma profunda satisfação por estar te escrevendo sem me sentir culpado por isso.

Acredito que tudo isso me levará a fazer as pazes comigo e com a sua lembrança. Não acho que ela vá desaparecer, mas diminuir até se tornar uma pequena recordação. Quando isso vai acontecer? Não sei. 

Antes de terminar, você precisa saber que eu não te odeio – por mais fatos que você tenha reunido para se convencer disso. 

Espero que após a leitura dessa carta, você fique em paz – se assim o precisar.
E eu espero fazer as pazes com o meu passado. 

Cuide-se, brother. 

Desperto com um passarinho cantando na janela. Abro as janelas e vejo que o astro-rei brilha intensamente lá fora. São 10h. Levanto da cama, lembro de você e fico em paz. 

Photo by Julienne Erika Alviar on Unsplash

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