Tempo

O tempo é uma métrica engraçada. Lembram daquele jingle da Poupança Bamerindus que dizia “O tempo passa, o tempo voa…”? Ou o famoso Time goes by so slowly da Madonna? Então…

O fato é que a gente, vira e mexe, reclama do tempo. Que ele voa, principalmente quando estamos nos divertindo, ou que demora um bocado. Porém, cada pessoa tem uma forma de sentir o passar do tempo. E de aprender com ele.

Há exatamente um ano eu tive uma série de crises de ansiedade. E demorei a perceber o que eram. Cheguei a pensar se tratar de depressão — assunto pelo qual tomei certo interesse depois que uma amiga sofreu disso –, mas não era. Os episódios foram ficando tão frequentes, que pensei estar perdendo a sanidade e que o único remédio era consultar um psiquiatra; mas não foi preciso.

A gota d’água foi um dia que não consegui sair do trabalho nem voltar pra casa porque me sentia sufocado, como se paredes se fechassem ao meu redor. Criei forças pra ir à academia (que, junto à corrida, tornou-se uma grande válvula de escape; obrigado, adrenalina e serotonina) e conversar com 2 amigos. Eles não tinham ideia do que se passava, e me ajudaram sem saber.

Uma amiga sabia com detalhes o que acontecia, e ela foi — além de paciente — superimportante no processo de me fazer entender o que estava acontecendo, me encorajando a tomar uma atitude. Lembro de chorar sozinho em um dia, e no outro, sorrir e me divertir como se nada estivesse acontecendo. Essa dualidade me intrigava.

E nesse processo todo, dois passos foram valiosos: 1. pedir ajuda, 2. ser gentil comigo mesmo. E mais do que aceitar ajuda, eu tive que realmente querer me ajudar a passar por tudo isso, um dia após o outro. “Vencendo a ansiedade de cada dia“, dizia o post-it que ficava no computador. E também celebrar minhas mini conquistas diárias, afinal, nem tudo é dor. Eu criei o hábito de escrever o que eu sinto, na tentativa de entender o que se passa na minha cabeça quando me faltam palavras. E de fato funciona muito. Tenho páginas e páginas de textos tão rico em detalhes, que consigo lembrar cada circunstância que certas situações aconteceram.

E se hoje, 1 ano depois de tudo isso, eu consigo falar que passei por tudo isso, e que ainda luto diariamente pra não cair nas mesmas armadilhas, é porque o compromisso comigo mesmo está acima de qualquer miseração.

Peça ajuda. Não passe por isso sozinh@ e encontre gente disposta a te ouvir e, de coração, ajudar. O excesso de informação ao qual nós estamos diariamente submetidos, tem nos impedido, às vezes, de olhar para outros umbigos além dos nossos. Mas sempre dá pra mostrar que queremos ajudar e/ou ser ajudados.

Somatizar experiências ruins é o início de algo que pode fazer o barco naufragar lá na frente. E se o seu já afundou, estenda a mão porque alguém pode te trazer de volta e ajudar a enfrentar a imensidão. E quando tudo estiver se alinhando, você vai olhar e perceber que sobreviveu a mais uma tempestade. Um dia após o outro. Afinal, mar calmo nunca fez bom marinheiro.

Photo by Icons8 team on Unsplash

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