Tempo

O tempo é uma métrica engraçada. Lembram daquele jingle da Poupança Bamerindus que dizia “O tempo passa, o tempo voa…”? Ou o famoso Time goes by so slowly da Madonna? Então…

O fato é que a gente, vira e mexe, reclama do tempo. Que ele voa, principalmente quando estamos nos divertindo, ou que demora um bocado, meses de agosto, por exemplo, mas cada pessoa tem uma forma de sentir o passar do tempo. E de aprender com ele.

Há exatamente um ano eu tive uma série de experiências ruins: crises de ansiedade. E demorei a perceber o que era. Cheguei a pensar se tratar de depressão — assunto pelo qual tomei certo interesse depois que uma amiga sofreu disso –, mas não era. Os episódios foram ficando tão frequentes, que pensei estar perdendo a sanidade e que o único remédio era consultar um psiquiatra; mas não foi preciso.

A gota d’água foi um dia que não consegui sair do trabalho nem voltar pra casa porque me sentia sufocado, como se paredes se fechassem ao meu redor. Criei forças pra ir à academia (que junto à corrida, tornou-se uma grande válvula de escape – obrigado, adrenalina e serotonina) e conversar com 2 amigos. Eles não tinham ideia do que se passava, e me ajudaram sem saber.

Uma amiga sabia com detalhes o que estava acontecendo, e ela foi — paciente — superimportante no processo de me fazer entender o que estava acontecendo e me encorajar a tomar uma atitude. Lembro de chorar sozinho em um dia, e no outro, sorrir e me divertir como se nada estivesse acontecendo. Essa dualidade me intrigava. Como era possível, eu não sei.

E nesse processo todo, dois passos foram valiosos: 1. pedir ajuda, 2. ser gentil comigo mesmo. Eu tenho um comportamento nocivo de passar pelas coisas calado, sem dividir com ninguém; até o dia em que elas se tornaram maiores do que eu era capaz de suportar. E nessa hora, só quem estava fora da situação conseguia me dar um luz sobre o que fazer. E quando eu me dispunha a fazê-las, as coisas começavam a entrar nos eixos. Com muito custo, assumo.

E mais do que aceitar ajuda, eu tive que realmente querer me ajudar a passar por tudo isso, um dia após o outro. “Vencendo a ansiedade de cada dia”, dizia o post-it que ficava na tela do computador. E também celebrar minhas mini conquistas diárias. Porque nem tudo é dor. Eu criei o hábito de escrever o que eu sinto, na tentativa de entender o que se passa na minha cabeça quando me faltam palavras. E te falo: funciona muito. Tenho páginas e páginas de textos tão rico em detalhes, que consigo lembrar cada circunstâncias que certas situações aconteceram.

E se hoje, 1 ano depois de tudo isso, eu consigo falar, sem vergonha alguma, que passei por tudo isso, e que ainda luto diariamente pra não cair nas mesmas armadilhas, é porque o compromisso comigo mesmo está acima de qualquer miseração.

Repito: peça ajuda. Não passe por isso sozinhx e encontre gente disposta a te ouvir e, de coração, ajudar. O excesso de informação ao qual nós estamos diariamente submetidos, tem nos impedido, às vezes, de olhar para outros umbigos além dos nossos. Mas sempre dá pra gente virar esse jogo e mostrar que queremos ajudar e/ou ser ajudados.

Somatizar experiências ruins é o começo de algo que pode fazer o barco naufragar lá na frente. Mas se o seu já afundou, estenda a mão porque alguém pode te trazer de volta e ajudar a enfrentar a imensidão.

E quando tudo estiver se alinhando, você vai olhar e perceber que sobreviveu a mais uma tempestade. Afinal, mar calmo nunca fez bom marinheiro.

Photo by Icons8 team on Unsplash

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s