Expectativa x Realidade

Dando um rolê pela Praça Roosevelt, aqui em São Paulo, passei por 2 rapazes conversando, onde um deles dizia: “Aos 30 anos você não sabe o que quer. Aos 33, você já sabe exatamente o que quer […]”. Não ouvi o restante nem o contexto, mas comentei com um amigo sobre essa afirmação. Ele com 33, disse: “Moço, me fala como é isso porque eu ainda não tenho ideia do que fazer.” Rimos e saímos.

Quando mais novo, soube de pessoas que nos seus 30 e poucos anos já tinham casa própria, um trampo de respeito, um relacionamento estável e uma grana guardada. Sem eu saber, isso criou em mim uma expectativa irreal sobre como seria quando eu chegasse aos trinta.

Quanto mais próximo esse “evento”, mais ansioso eu ficava. Eu sabia que as coisas não surgiriam do nada, mas eu também não conseguia ver uma movimentação do universo para que eu conquistasse essas “metas”; mesmo eu dando uma ajudinha pro futuro. Resultado: cheguei ao fim dos 29 anos totalmente insatisfeito com a minha carreira, duvidando da minha capacidade em diversas áreas, enaltecendo os defeitos, sem dinheiro guardado e morando com a família.

Te pergunto: existe alguma vergonha nisso? Definitivamente não. Meus planos eram outros, mas eu não precisava me sentir pra baixo por eles não terem ainda se concretizado; tampouco me diminuir por fatos que eu não podia controlar. Aprendi isso alguns bons anos depois. Aliás, ainda tô aprendendo.

A questão é que às vezes nós criamos expectativas em cima da história de outras pessoas e nos colocamos pra baixo quando não trilhamos o mesmo caminho. E isso é tão errado, que o único resultado dessa equação é a frustração. É aquele velho ditado que ouvíamos: “Você não é todo mundo.”

Tenho um amigo que trabalha com redes sociais, escreve super bem e é super inteligente. Durante um tempo eu baseei parte da minha carreira nele e, obviamente, me sentia frustrado. O que eu não sabia era o que ele enfrentou até chegar ali. Na verdade eu sabia, mas “escolhi” ignorar justamente por estar envolto numa ótica que me inferiorizava perante as pessoas.

Demorou para eu me desprender dessa perspectiva. Aliás, demorou um pouco até eu parar de me analisar sob a perspectiva de vida dos outros. Desde então, passei a entender melhor os gatilhos que me colocavam pra baixo e comecei a tratá-los.

Não há problema algum se a sua galera já conquistou horrores e você ainda está dando os primeiros passos. Ou se você não tem a menor ideia do que fazer com a sua vida agora nem daqui alguns anos. Planejar é superimportante, mas vocês não acham uma grande pretensão definirmos qualquer coisa das nossas vidas num prazo tão longo? Vamos falar sobre issoÉ como se tivéssemos a necessidade de ter controle sobre tudo para que as coisas aconteçam do nosso jeito, assim e assado.

Quando abandonamos uma ótica distorcida, baseada em perspectivas que não correspondem à nossa história, fazemos planos mais gentis e leais para nós mesmos. 

É um processo para a vida toda, mas vamos entender as dores, limitações, vulnerabilidades, qualidades, os defeitos; tudo aquilo que faz da gente, a gente.

Pegarmos leve com e nos tornarmos amig@s de nós mesm@s é uma viagem que nos levará mais longe. Que tal darmos alguns passos agora?

2 comentários sobre “Expectativa x Realidade

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