Saudades

A gente está andando na rua, sente cheiro de bolo, e em questão de segundos somos levados à casa da nossa avó naquele dia em que caímos de bicicleta, ralamos o joelho e ela fez um agradinho pra gente sarar. Sentimos água na boca e sorrimos. Isso se chama saudade.

Estamos na escola/faculdade, sentimos o perfume de uma menina superinteligente da nossa sala, e lembramos da amiga de infância com quem brincávamos até altas horas da noite e para quem contávamos tudo. Torcemos para que ela tenha se tornado uma mulher incrível e sorrimos. Isso se chama saudade.

Sentados no consultório do dentista, temendo ter que enfrentar o motorzinho, e no mesmo instante ouvimos uma música que nos remete à primeira pessoa que amamos. Internamente abrimos um sorriso. Isso se chama saudade.

Mas a saudade nem sempre nos leva a momentos tão longe.

Cansados de um dia longo, deitamos na cama e logo dormimos. Sonhamos com aquele cara que não vemos há um tempinho, não importa o quanto, em uma situação divertida, engraçada. Ao acordarmos, enviamos uma mensagem dizendo estar com saudade e marcamos de nos ver. Sorrimos.

Na correria do trabalho, acabamos por não falar frequentemente com @ colega que era nossa companhia diária no café da tarde. Os horários malucos nos permitem apenas dizer Bom dia e perguntar como foi o fds. Meio dia, levantamos da cadeira, “vamos comer no japonês?” e colocamos o papo em dia. Sorrimos e rimos.

Andando despretensiosamente por uma avenida, vemos um livro que nosso vizinho iria amar. Compramos, escolhemos um papel de presente descolado e deixamos na caixa de correio com um bilhete propondo um rolê na terça-feira. Sorrimos.

Quase geralmente a saudade é um sentimento gostoso, que vem acompanhado de boas lembranças, de cheiros, sentimentos e situações; lembramos de quem nos foi especial e de quem está sendo. E nessas horas, se possível, a coisa mais sensata a se fazer é mandar uma mensagem, ligar, visitar.

Sentir saudades é uma delícia. Elas nos levam a momentos de riso leve e risadas até a barriga doer. Mas matar as saudades é melhor ainda porque podemos criar situações dos quais vamos nos lembrar com muito carinho e que trarão a leveza de que precisamos na correria que é a vida.

Mate as suas sempre que puder. É uma experiência sublime.

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