Despedida

Eu deveria ter percebido aonde estava pisando quando, em abril, te comprei um presente e você disse Mais ovo de Páscoa“, e na verdade era uma luminária de gato, que você amou e usa na sala.

Eu deveria ter percebido aonde estava pisando quando depois de um sexo incrível, você me chamou pelo nome do seu ex-marido. Eu relevei, mas era um aviso.

Eu deveria ter percebido aonde estava pisando quando você pediu uma opinião sobre seu look dizendo Tô muito bichinha?.

Eu deveria ter percebido aonde estava pisando nos momentos em que você um pouco bêbado, dizia coisas das quais não lembrava quando sóbrio – como me dar uma cópia das chaves da sua casa.

Eu deveria ter desconfiado quando você me chamou de amor. Três vezes. Mas era tudo que eu queria ouvir.

Eu escolhi ignorar tudo isso porque queria um relacionamento sério. Você me deu sinais de que estava a fim, mas não estava, deixando claro em uma conversa que tivemos na cama. Respeitei sua decisão de se reconstruir e assumi para mim que não perderíamos o lance legal entre a gente. Mas não dá, eu não sou assim. Eu não posso me entregar pela metade. Eu não quero estar incerto sobre a gente, mesmo sabendo que algumas coisas são incontroláveis e independem de mim.

Eu escolhi ser inteiro. Sem você.

As lembranças vêm à mente. Sinto saudades, choro, e sigo tentando ficar em paz. Sei que fui sincero todo esse tempo. E você também foi: consigo e comigo.

Não sinto a dor de um término, mas a angústia de uma saudade. Sinto falta da sua pele, da sua barba encostando na minha, dos emojis que você usava quando se referia a mim. Saudades do barulho que você faz quando dorme, de como a sua cabeça cabia direitinho no meu peito e de acordarmos abraçados.

Sinto falta dos nossos almoços no shopping, dos rolês à noite, das risadas sem motivo, de ver séries [e dormir em alguns eps] e ir ao supermercado comprar o almoço. Saudades de te abraçar no elevador, de carinhar o seu rosto e tomar banho contigo. Sinto saudades de quando andávamos de mãos dadas ou abraçados na rua.

Sinto falta dos fetiches sexuais e da carta vinda do condomínio em um dia que transamos de janela aberta (rs). Sinto saudades dos urros, dos murros na parede, de te sentir dentro de mim e me sentir dentro de você. Queria te abraçar forte, estralar suas costas, olhar para o seu rosto e te carregar no colo enquanto você beija meu pescoço.

Tem algumas coisas das quais não sinto falta: dos momentos que não tivemos juntos. Não sinto saudade das viagens, dos rolês com a galera, das festas e dos shows e filmes que poderíamos ter visto juntos. Lamento que você não pôde conhecer alguns dos meus amigos, e eu, outros seus. Todas essas situações são deliciosas possibilidades não realizadas.

Neste momento você não sabe que a gente acabou, mas eu tô matando você dentro de mim aos poucos. A gente ainda vai se ver: eu treino na rua aonde você mora e estou com 4 livros seus.

Eu ocultei da carteira as nossas fotos no bar, mas você está em meu coração e eu te desejo paz nessa caminhada.

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