Ferido

Este é o título de umas das músicas da Natalie Imbruglia de que mais gosto, Torn, e que faz parte da Sad, uma playlist para momentos introspectivos. Esse adjetivo traduz como me sinto. E essa é a playlist que tô ouvindo.

É um sentimento, posso chamá-lo assim?, que percebo presente há um tempo, mas que renego, como posso, mantendo a cabeça ocupada: trabalho, academia, cinema, livros, séries e filmes. É bem-vindo tudo que me impeça de pensar certas áreas da minha vida que gostaria que estivem de um jeito, mas estão de outro.

Eu sabia que um dia seria confrontado com tudo o que já fiz. E não sabendo de que forma aconteceria, não imaginava a intensidade desta “cobrança”. E aconteceu hoje.

Vieram à tona tantas lembranças, tanta gente, tantas situações em que eu poderia ter agido diferente, tanta tristeza e insegurança, que não aguentei e chorei como uma criança – tendo o pôr do sol como testemunha. Acumulei histórias inacabadas, adeus não dados, elogios não ditos, corações magoados, escolhas ruins…, e isso culminou em um eu fragmentado, adaptável às situações conforme elas exigiam.

“Às vezes sinto como se todos os setores da minha vida estivessem tão diferentes um do outro que parece que estou sempre visitando outro planeta.” (The Carrie Diaries)

De uns anos para cá, notei em mim padrões nocivos de comportamento que não conseguia mudar. Vez ou outra eu sabia estar fazendo a coisa errada de novo, mas quando dava por mim, já tinha feito merda. Respirava fundo e seguia em frente, sem a oportunidade de pensar a respeito e ter uma conversa franca: “Felipe, o que está acontecendo? O que você fez? Por que você fez?”.

Das poucas vezes que me abri para alguns amigos, não percebi surpresa da parte deles quando contava minhas atitudes. Eles “aprenderam” o meu modus operandi. E isso nunca me incomodou. Até hoje.

Semana passada, levado ao canal da Jout Jout pelo vídeo ‘A falta que a falta faz’, encontrei outro de 45 minutos com o Gustavo Gitti, um dos membros d’O Lugar, onde foi falado que a gente às vezes não para a fim de pensar no que fazemos e em nossas atitudes, gerando um ciclo tóxico.

Me tornei alguém do qual não sinto orgulho: irritado, mau humorado, sem foco, por vezes preguiçoso, fechado e indiferente. Diversas vezes essas “características de personalidade” destruíram amizades para uma vida toda e impediram que eu conhecesse pessoas que poderiam ser algumas dessas amizades.

Eu não quero ser o cara que coleciona arrependimentos porque não parou e gritou consigo, a plenos pulmões, até despertar para toda uma vida que teria pela frente.

Eu preciso me tornar uma pessoa melhor. Para mim e para as pessoas ao meu redor; para as minhas relações atuais e para as que terei; para mostrar ao Felipe do passado que eu amadureci e ao Felipe do futuro que valeu cada atitude. Um dia eu quero lembrar deste dia como o domingo em que decidi deixar de ser um cara indiferente e me tornar inteligente emocionalmente.

Photo by lucas clarysse on Unsplash

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