Sobre(viver) em crise

Uns acham que é lenda; outros, e eu me incluo, realidade. Para ter a própria opinião você terá que esperar, afinal, a crise dos 30 anos tem hora certa pra chegar.

A minha tá fazendo aniversário. Há um ano comecei a sentir uma insatisfação com quase tudo ao meu redor. Imaginei que em janeiro, quando realmente fiz 30, ela desapareceria. Eu estava enganado.

Já li vários textos a respeito e criei teorias, mas nenhum deles deu uma explicação plausível (não contava com isso, óbvio). Entretanto sei que isso é absolutamente normal. Você pode culpar o retorno de Saturno, chamar de crise de meia-idade (?), ou seguir a sua vida e abrir-se para novos aprendizados.

Em outubro de 2015 eu estava insatisfeito com o meu trabalho porque não conseguia mais enxergar valor no que fazia. Insatisfeito com minha profissão. Irritado com o rumo da minha desastrosa vida amorosa. Sentindo-me sufocado, desanimado; como se os momentos de felicidades estivessem encobertos por uma névoa cinza. Cheguei a pensar que era depressão, mas os indícios apontaram o contrário. Aliás, nessa época engatei um projeto de Social Media com uma ONG que presta auxílio às pessoas que pensam em suicídio (cuja depressão é um dos desencadeantes), e isso tapou um buraco na minha crise.

“Às vezes sinto como se todos os setores da minha vida estivessem tão diferentes um do outro que parece que estou sempre visitando outro planeta.” (The Carrie Diaries)

Com o passar dos dias, os mesmos sentimentos, agora acompanhados de impotência, voltaram a me atormentar. E como não faço terapia, tive que dar um jeito de lidar com eles para não perder as rédeas da minha vida. Natal, Ano Novo, emprego novo, meu aniversário; tudo parecia estar nos eixos. Nove meses depois vejo que estou tão insatisfeito quanto naquela época. E isso é bom.

Essas inconstâncias (de humor, inclusive) me mostraram que uma vida que segue uma linearidade não é tão incrível assim. Claro, estabilidade é algo que, acredito, todos gostam, mas uns desafios não fazem mal a ninguém, afinal, mar calmo nunca fez bom marinheiro.

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Estes dias postei no Facebook que o On This Day só serve para mostrar o quanto eu era idiota. Não que eu não seja hoje, mas atualmente não postaria metade das coisas que vejo lá. Um rapaz que estudou comigo usou Alain de Botton para me aliviar: ‘Qualquer pessoa que não tiver vergonha de quem ela foi no ano passado, provavelmente não está aprendendo o suficiente.’

Então, ao invés de me lamentar (e acredite, é muito mais fácil encontrar um culpado para as nossas próprias insatisfações), resolvi fazer algo para tornar a minha existência mais significante. Me engajei, de fato, na luta LGBTQ+, tenho evitado posturas machistas que passavam despercebidas (e ajudado alguns amigos com isso), leio sobre assuntos desconhecidos e tento fazer algo novo no trabalho. Mas é difícil. Tem dias em que eu não quero discutir política com gente conservadora ou que me vejo vencido pela rotina. Há dias em que eu venço, e há dias em que falho. E é assim, vencendo e perdendo, que eu conduzo minha vida. No final das contas eu só quero colocar a minha cabeça no travesseiro e saber que fui útil pra mim ou para alguém.

Se você não tem 30 anos, pode também estar em um embate consigo próprio. Você pode ter mais de 30 e estar na mesma situação. O que importa é que crise é uma oportunidade de crescermos. Como isso vai acontecer, é você que define.

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