Qual é o seu propósito?

Quando comecei a trabalhar como Social Media, dois diretores de arte foram fundamentais para que eu me integrasse e começasse a entender esse mundo que vai além de ficar o dia inteiro na internet olhando o Facebook. Trabalhamos juntos por cerca de um ano, até que um deles começou a fazer teatro e, obviamente, a se apaixonar. Pouco tempo depois, o outro rapaz também seguiu o mesmo caminho. Me lembro de quando fomos surpreendidos com a notícia de que ambos sairiam da agência porque queriam mais tempo para si, para atuar e ter qualidade de vida. À época pensei que eles estavam arriscando demais em abandonar uma carreira para fazer algo, até então, incerto e viver de freelas.

Com o passar do tempo passei a admirá-los pela coragem. O trabalho com teatro estava dando frutos: vi fotos de ambos atuando e um deles, inclusive, está em cartaz em SP com uma peça bem avaliada pela crítica. Eles são rapazes talentosos e imagino que a decisão não tenha sido fácil.

Então questionei: será que eu teria a mesma coragem? A decisão deles foi pautada numa insatisfação gerada por algo que já não os completava nos âmbitos pessoal e profissional. Ante a esta siatuação, pensei: quantos de nós, por preguiça ou medo de arriscar, continuamos a fazer coisas que não necessariamente nos trazem prazer? Quantos de nós preferimos “viver no automático” ao invés de “dirigir a vida no manual”? Eu sei que não é uma decisão fácil e que às vezes preferimos não mexer em algum ponto das nossas vidas, mas, sinceramente, isso tem nos deixado felizes? Acredito que a felicidade não é feita apenas de momentos grandiosos de alegria extrema, mas que ela é construída aos poucos: na mensagem que @ crush responde, naquela sobremesa calórica depois da academia, no rolê com os amigos, no ingresso pro show garantido aos 45m do 2º tempo, e por aí vai.

A nossa vida não precisa se resumir a trabalhar, aos dias de pagamento, às sextas-feiras e aos feriados prolongados. Por mais que passemos muito tempo no trabalho, ele não precisa ser estressante. “Ah, mas eu preciso ganhar dinheiro, tenho uma família para sustentar e contas para pagar”. Okay, eu entendo e não tô dizendo pra você abandonar tudo e viver das coisas que a natureza dá [se for a sua vontade, faça isso], mas você pode, por exemplo, fazer nos momentos de folga algo que lhe dê um prazer ainda não sentido. E tempo a gente arranja para tudo. Conseguimos começar um curso de inglês, praticar esportes, fazer um jantar romântico, sair para a balada com os amigos se estivermos dispostos.

Talvez esse texto todo seja um enorme clichê sobre buscarmos um propósito naquilo que fazemos, mas não consigo pensar numa vida plena aonde os compromissos da vida adulta nos impeça de fazer o que amamos. Você não precisa fazer algo incrível todos os dias para se sentir complet@, mas fazer algo que goste pelo simples prazer que esta atividade te traz. E você vai ver o quão benéfico isto pode ser.

Photo by Jamie Street on Unsplash

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